Passamos por um ano que trazia consigo grandes expectativas: Copa do Mundo (melhor deixa pra lá) e de Eleições Gerais. A parte que ninguém esperava era a greve de maio dos caminhoneiros – que paralisou a economia – e tamanha polarização política na eleição – com o menor tempo de campanha na história.

A tensão eleitoral já vinha desde as manifestações de 2013, se agravou com a crise em torno do impeachment de Dilma e o fim, na prática, do governo Temer após o escândalo da JBS em maio de 2017. Havia ainda a indefinição da candidatura de Lula pelo PT.

Fiz questão de trazer tudo isso de volta pra enfatizar duas coisas: primeiro, a gigantesca turbulência dos últimos dois anos e tudo o que o Brasil precisava era de uma definição de norte, de rumo, de tranquilidade.

Segundo, sempre haverá uma parcela insatisfeita com o resultado, mas o processo eleitoral aconteceu de forma pacífica e sem intervenções, um novo presidente e governadores foram eleitos nas urnas e o Congresso viverá uma das maiores renovações de sua história. A voz da maior parte do povo brasileiro se transformou em voto e essa voz queria a alternância de poder (sempre saudável), queria colocar o Brasil mais à direita e experimentar uma alternativa ao exaurido modelo do governo petista durante seus quatro mandatos baseados em estímulo ao consumo. A democracia funcionou exatamente do jeito que deveria funcionar. O Brasil ficou em ritmo de espera entre a queda de Dilma e a saída pela porta dos fundos de Temer.

Temos potencial demais pra ficar em ponto morto por tanto tempo!

A iniciativa de indicar rapidamente os ocupantes aos principais ministérios está sendo acertada pois indica a estratégia e tranquiliza mercados (vide queda do dólar e bolsa batendo recorde histórico por 3 dias seguidos). A consolidação de ministérios aponta na direção de aumento de eficiência da máquina pública e por rapidez na tomada de decisões. Impossível acreditar que um presidente se reúne com a mínima frequência necessária com mais de 35 ministros – você conseguiria gerir sua empresa com tantos gerentes?

Mas ainda é cedo pra comemorar. O poder executivo larga em 2019 com o orçamento de Temer, sem recursos pra investir e precisando negociar o tempo todo para aprovar reformas e concessões. O confronto com a realidade sempre é mais duro do que as promessas de campanha. Se o Brasil fosse uma empresa, ainda estamos em recuperação judicial e com agiotas batendo à porta, mas o momento é de otimismo, novos rumos e a faixa ‘’sob nova direção’’ na porta. Não existe milagre, para problemas complexos não existem remédios simples.

Assim, espero que o otimismo se reverta em transformação, que a oposição se transforme em fiscalização e debate e que nosso povo possa viver uma nova onda de prosperidade que tanto merece.

Não canso de dizer que o seu negócio é influenciado por tudo isso, mas não pode ser dependente da força e direção dos ventos. Torcer é coisa para se fazer na Copa do Mundo, ter sucesso e crescer é consequência de boa gestão. Aproveite o final de ano para organizar a casa, aprender com os acertos e planejar para entrar em 2019 com tudo.

 

Bons negócios!

 

Sobre o autor

Arthur Igreja
Arthur é um dos A’s da plataforma AAA com Ricardo Amorim do Manhattan Connection e Allan Costa. Palestrante em mais de 120 eventos por ano em eventos como Rock in Rio Academy e TEDx no Brasil, EUA, Europa e América do Sul. Experiência profissional e acadêmica em mais de 25 países, Masters in International Business nos EUA pela Georgetown University, corporate Masters of Business Administration na Espanha pela ESADE, mestrado Executivo em Gestão Empresarial pela FGV/EBAPE, certificações executivas em Harvard & Cambridge, pós-MBA em Negociação pela FGV e MBA pela FGV/Ohio University.

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