Você já deve ter ouvido essa história de “tempo de qualidade”. É um termo que pais ocupados inventaram para dizer que, apesar de não terem tempo para os próprios filhos, o pouco tempo que têm é o que chamam de “tempo de qualidade”.

O pai que está sempre em alguma reunião importante, a mãe que está sempre no celular, o casal que está sempre viajando e deixa os filhos com a babá. Eles não têm tempo para as bobagens da criação de filhos. Mas o pouco tempo que têm é um “tempo de qualidade”.

Quinze minutos

Tempo de qualidade é essa mentira que a gente conta pra gente mesmo pra justificar nossos únicos quinze minutos por semana ao lado dos nossos filhos. O que dá pra fazer em quinze minutos? Nada muito formidável. Mas se conseguirmos trocar meia dúzia de palavras, se tivermos um ensinamento profundo que tiramos de um texto que lemos na internet, se conseguirmos passar alguns segundos sem brigar, reclamar ou gritar com nossos filhos, isso é o que podemos chamar de “tempo de qualidade”.

Passamos a semana correndo, atendendo telefone, lendo email, fazendo reunião, terceirizando a educação dos nossos filhos, levando-os para o contraturno, a natação, o futebol, a casa da vó, a colônia de férias, e quando estamos com eles, naqueles pequenos minutinhos, fingimos que estamos realmente lá, prestando atenção genuína.

Mas como temos pouco tempo junto, aquele tempo não é realmente o que se pode chamar de “qualidade”. Porque não existe qualidade em uma relação que não tem intimidade. E intimidade se conquista com o tempo de quantidade.

Tempo de quantidade

Não tem outro nome, é horas mesmo. Dias. De preferência muitos dias calmos e sem muita coisa pra fazer. Sábados e domingos, mas também terça-feira à noite e segundas-feiras bem cedo, café da manhã juntos, confidências sem julgamentos.

Pra ter tempo de qualidade a gente precisa, antes, ter tempo de quantidade. Longas horas dedicadas ao prazer de simplesmente estar junto.

Qual foi a última vez que você não tinha nada pra fazer? Qual foi a última vez que passeou de bicicleta? Que fez uma pintura pra dar de presente pra alguém? Que deitou na grama? Qual foi a última vez que você leu pro seu filho? Qual foi a última vez que inventaram uma brincadeira nova? Qual foi a última vez que você teve tempo de qualidade?

Um grande abraço do Piangers

Sobre o autor
Marcos Piangers
Também conhecido como “Papai pop” em referência ao seu livro “O papai é pop” com mais de 250 mil exemplares vendidos no Brasil, Portugal, Espanha, Inglaterra e Estados Unidos. Marcos Piangers se dedica a transmitir a mensagem da participação mais efetiva do pai na criação dos filhos, a valorização da mulher, a percepção de que tempo é mais importante que dinheiro. Faz palestras – uma das mais bem avaliadas de grandes eventos internacionais –, escreve artigos, crônicas, livros e dialoga com seu público nas redes sociais, onde possui mais de 3,5 milhões de fãs no Facebook e Instagram. Livros, palestras e outras formas de contato: http://www.piangers.com

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